As empresas não precisam de mais um projeto piloto de tokenização. Elas precisam de uma camada operacional repetível para instrumentos financeiros.
A tokenização tem sido apresentada há anos como a próxima fase dos mercados de capitais. Essa tese agora é amplamente aceita. Instrumentos financeiros podem ser representados on-chain. A liquidação pode ser simplificada. A lógica de conformidade pode ser incorporada aos fluxos de trabalho digitais. Os registros de propriedade podem se tornar mais transparentes. Os mercados privados podem operar com maior eficiência.
No entanto, dentro de muitas instituições, a tokenização ainda aparece como um projeto piloto. Ela é aprovada como uma prova de conceito, definida como uma implementação personalizada, entregue por meio de um contrato com muita consultoria e avaliada como um projeto de inovação, em vez de um sistema operacional.
Esse modelo de entrega é o problema.
Em um artigo recente do Forbes Business Council, o CEO e cofundador da Brickken, Edwin Mata, argumentou que a tokenização não deixou de escalar por falta de interesse das instituições. Falhou onde ainda é vendido e entregue como consultoria. A questão não é apenas a regulamentação, a prontidão do mercado ou a maturidade da tecnologia. Essas restrições ainda importam, mas não são mais a explicação completa. A barreira mais profunda é comercial e operacional: a tokenização é frequentemente construída como um projeto personalizado em vez de implantada como infraestrutura repetível. Essa distinção define a próxima fase do mercado. O modelo de consultoria não produz infraestrutura. A maioria dos primeiros projetos de tokenização era vendida individualmente. Cada emissor recebia uma estrutura personalizada, um fluxo de trabalho personalizado, um caminho de integração personalizado e uma grande taxa de configuração inicial. Esse modelo manteve os fornecedores vivos durante a primeira fase do mercado, mas criou os incentivos errados. Quando a receita é concentrada antecipadamente, um provedor pode vencer antes que o emissor tenha ativos reais, atividade recorrente, participação mensurável de investidores ou um programa que sobreviva ao escrutínio interno. A estrutura econômica recompensa o esforço de implantação em vez do desempenho operacional. O resultado é previsível. Cada projeto se torna um caso especial. As regras de conformidade ficam restritas a fluxos de trabalho manuais. As integrações dependem de uma única equipe técnica. As atualizações de produtos se tornam arriscadas. A escalabilidade em diferentes ativos, geografias e tipos de investidores torna-se difícil de justificar. Não é assim que a infraestrutura financeira escala. Um banco não reconstrói sua plataforma de pagamentos para cada novo programa de cartão. Uma gestora de ativos não redesenha a administração de fundos para cada classe de ações. Uma empresa não compra um software de planejamento de recursos empresariais para "lançar a contabilidade". Ela compra infraestrutura para executar a contabilidade todos os dias. A tokenização deve ser tratada da mesma forma. O valor não está no ato de emitir um token. O valor reside na capacidade de operar instrumentos financeiros por meio de uma infraestrutura controlada, repetível e auditável.
O mercado evoluiu da captação de recursos para a gestão de capital.
A tokenização ainda é frequentemente descrita como uma ferramenta de captação de recursos: tokenize um ativo, venda a participação e siga em frente. Essa visão é muito restrita para a adoção institucional.
As empresas não gerenciam seus balanços como eventos isolados de emissão. Bancos, gestores de ativos, escritórios familiares e operadores de mercado privado gerenciam instrumentos ao longo de todo o seu ciclo de vida. Eles precisam de permissões, verificações de elegibilidade de investidores, relatórios, distribuições, controles de transferência, eventos corporativos, trilhas de auditoria e clareza operacional sobre quem pode fazer o quê, quando e sob quais condições regulatórias.
É aqui que a tokenização se torna infraestrutura.
Um instrumento financeiro tokenizado precisa ser emitido, mas também precisa ser gerenciado. Os investidores precisam ser cadastrados, verificados, classificados e monitorados. As transferências devem respeitar as restrições jurisdicionais e dos investidores. Os registros de propriedade devem permanecer alinhados com a estrutura jurídica subjacente. As distribuições devem ser executadas e registradas. Os relatórios devem estar disponíveis para emissores, investidores, auditores e, quando aplicável, reguladores. Essa é a camada operacional que determina se a tokenização se tornará rotina ou permanecerá restrita a projetos-piloto. O mercado agora está se movendo nessa direção. As conversas institucionais se tornaram mais precisas. Os executivos estão menos interessados em linguagem genérica sobre "ativos digitais" e mais focados em tempo de liquidação, prontidão para conformidade, mobilidade de garantias, operações de investidores e redução de custos. Eles querem saber se os instrumentos tokenizados podem funcionar dentro das estruturas financeiras e regulatórias existentes.
Essa é a pergunta certa.
A padronização não é opcional.
Um mercado de tokenização maduro não pode exigir que cada emissor reinvente a forma como um título, cota de fundo, nota promissória, instrumento de participação acionária ou estrutura lastreada em imóveis funciona.
Os mercados financeiros escalam por meio de padrões, modelos, fluxos de trabalho de referência e controles repetíveis. Os instrumentos financeiros tokenizados precisam da mesma disciplina operacional. O setor não precisa de estruturas personalizadas infinitas. Ele precisa de uma infraestrutura configurável que possa suportar diferentes classes de ativos, preservando a conformidade, os relatórios e a lógica de ciclo de vida consistentes.
Isso não significa que todos os instrumentos sejam idênticos. As classes de ativos diferem. As jurisdições diferem. As restrições aos investidores diferem. Os modelos de distribuição diferem. Mas a camada operacional não deve ser reconstruída do zero a cada vez.
Uma infraestrutura de tokenização deve tornar os fluxos de trabalho comuns repetíveis:
integração de emissores, fluxos de trabalho de documentos, verificação de investidores, verificações KYC e AML, listas de permissão de carteiras, controles de elegibilidade, restrições de transferência, tabela de capitalização ou rastreamento de propriedade, distribuições, relatórios, governança e gerenciamento de transferências secundárias.
Esses fluxos de trabalho devem ser configuráveis, não codificados sob medida para cada transação.
A padronização também é importante para a supervisão. Os reguladores não se beneficiam de implementações fragmentadas, onde cada emissor, plataforma e provedor de serviços aplica uma lógica diferente. Uma infraestrutura consistente facilita a revisão, auditoria e aplicação dos controles.
Como Edwin escreveu na Forbes, a questão para os CEOs não é mais se a tokenização pode ser lançada como um projeto. A questão é se ele pode funcionar como um programa operacional repetível em diferentes instrumentos, geografias e regimes de conformidade.
A Tokenização como Serviço altera o modelo de incentivo
A Tokenização como Serviço é mais do que um modelo de precificação. Ela altera a lógica operacional.
Um modelo de infraestrutura baseado em serviços muda o incentivo do provedor, deixando de lado a receita de configuração personalizada e passando a focar no uso da plataforma a longo prazo. A infraestrutura só tem sucesso se os ativos forem lançados, os emissores continuarem operando, os investidores forem gerenciados adequadamente e os instrumentos tokenizados permanecerem ativos ao longo do tempo.
Isso cria um melhor alinhamento entre a plataforma e o emissor.
O provedor deve tornar o sistema utilizável, repetível e escalável. Os emissores devem ser capazes de lançar seus produtos sem precisar reconstruir a infraestrutura. As instituições devem ser capazes de configurar fluxos de trabalho de acordo com seus próprios requisitos de conformidade, marca, base de investidores e sistemas. Os serviços profissionais ainda podem dar suporte à implementação, integrações, mapeamento de controles e estruturação jurídica, mas não devem ser o produto em si. O produto deve ser a camada operacional. Essa é a mudança que a Brickken construiu: infraestrutura de tokenização que pode ser implementada por meio de WebApp, Whitelabel e API, dando suporte a instituições e emissores em todo o ciclo de vida de instrumentos financeiros tokenizados. O objetivo não é vender a tokenização como um conceito. É fornecer a infraestrutura necessária para emitir, gerenciar e distribuir instrumentos tokenizados em um ambiente controlado. Por que isso é importante para bancos, gestores de ativos e empresas? Para os bancos, a tokenização cria pressão para modernizar a infraestrutura sem fragmentar a conformidade. Soluções proprietárias podem servir como alternativas, mas não escalam o ecossistema sozinhas. Os instrumentos financeiros tokenizados tornam-se mais úteis quando empresas e clientes institucionais podem interagir com eles em diferentes casos de uso sem precisar recriá-los a cada vez. Para gestores de ativos, a tokenização muda o modelo operacional de fundos, crédito privado, imóveis, dívida e outras estruturas de mercado privado. A oportunidade não se limita à distribuição mais ampla. Ela inclui uma melhor gestão do ciclo de vida do investidor, registros de propriedade mais claros, relatórios mais eficientes e controles programáveis em torno de transferências e participação. Para empresas, a tokenização torna-se relevante quando aprimora as operações de tesouraria, financiamento, liquidação ou ativos. A linguagem que importa não é "blockchain". Trata-se de velocidade de liquidação, transparência, auditabilidade, acesso do investidor e controle operacional. Para os reguladores, a questão principal não é se a tokenização existe. Ela já existe. A questão é se a infraestrutura é padronizada o suficiente para supervisionar, interoperável o suficiente para conectar instituições e controlada o suficiente para proteger os investidores e a integridade do mercado.
É por isso que a próxima fase da tokenização depende da profundidade da infraestrutura.
O objetivo final é uma infraestrutura invisível.
O futuro da tokenização não é um mercado onde todos os executivos falam sobre tokenização. É um mercado onde menos executivos precisam falar sobre isso.
A infraestrutura se torna normal. As equipes discutem tempo de liquidação, elegibilidade do investidor, fluxos de trabalho de relatórios, movimentação de garantias, preparação para auditoria e controles operacionais. O fato de o instrumento ser tokenizado se torna parte da infraestrutura, não a manchete.
É assim que a infraestrutura financeira amadurece.
A primeira fase da tokenização provou que os ativos podem ser representados na blockchain. A próxima fase deve provar que os instrumentos financeiros tokenizados podem ser operados, administrados, transferidos e governados ao longo de todo o seu ciclo de vida. Isso não acontecerá por meio de projetos pontuais liderados por consultorias. Acontecerá por meio de uma infraestrutura modular, compatível, configurável e construída para funcionar por anos. Leia o artigo original de Edwin Mata no Forbes Business Council aqui. Explore como a infraestrutura de tokenização está evoluindo na prática. Agende uma demonstração com nossa equipe. especialistas em tokenização.